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:: 11 de outubro, 2007 ::
setembro de 2007
E eu dormi falando a mim mesma das almas que se calam E eu me redimi calando frente aos corpos que se falam Acorda e vem ver. agosto de 2007
No caminho na imensa bolsa vermelha: -travesseiros de barulhinho, daqueles de penas bem fofas, pra recostar as vontades * como dói deixar de escrever aqui. prometo que parei. parei de não escrever, digo. mesmo que escreva besteira. mesmo que escreva pouco. mesmo. vermelho é dos teus olhos que nasceram vários vestígios de sonhos * espaços Num espaço de 3 nuvens e 4 letras é que tive você Num espaço de 10 chuvas e nenhum ditongo é que você me tirou * * * Tem dias em que o céu se rasga em cinza. E a gente se pergunta: Do(as) cinza(s) se faz sol? julho de 2007
mas como procurar o que eu já tenho? procurar onde, fingir que não existe? guardo na gaveta, bato cara, conto até trinta e saio em busca? faço esconde-esconde de criança, a coisa tá ali na minha frente, eu esbarro e não acho? assim eu sempre vou perder. assim não vale. eu não sou mais café-com-leite como eu era. por que inventar o que já existe? clones não dão certo, dolly morreu cedo, a dor de ser o imperfeito do perfeito mata rápido. eu não sei pra onde ir, me sinto Petra novamente, eu que jurei nunca mais voltar aqui. God help me out here.
É bonito de lembrar de como era pequeno Nada sei, ou saberei, das coisas dentro de mim. junho de 2007
é um tipo de loucura você tentar esconder de si mesmo um monstro que é só seu. e sim, sabemos que loucos somos todos, mas este tipo de loucura é mais louco porque só machuca a você mesmo - olha lá, o monstro se alimentando do resto da sua alma. aquela que você nem sabia que tinha. ele se alimenta e a cada mordida você se lembra de um pedaço do sonho que você teve semana passada, ou sente o cheiro que te lembrou do que quer, ou ouve uma música que te leva praquele lugar onde o monstro não morava, onde o monstro não conhecia. quando o monstro nem vivia. e ele engorda e tem filhos dentro da sua alma, e quando você percebe quem está se escondendo dentro do monstro é você. acorda. maio de 2007
Telhados cor de ferrugem com clarabóias escancaradas deixam entrar borboletas cobertas de pó de pólen que estranham tudo, dos móveis descascados até o cheiro almiscarado que permeia cada fresta. *
E quanto mais nua por dentro eu ficava, mais me olhavas do lado de lá do oceano, e os mares se desmanchando. Deixei de ser - e sou mais. Leve. Intacta. Leve.
abril de 2007
Valente: Sou eu. janeiro de 2007
A impressão que eu tenho, às vezes, é a de que o amor é uma pedra grande, pesada e bem quentinha que fica dentro do seu quarto, e você entra e vê, e dorme em cima, e ela te aconchega, e você é íntima dela, e você sai de perto e sorri, e sente falta, e volta, e entra e dorme em cima de novo. A paixão é um vagão que às vezes chega cheio e às vezes nem passa. Quando passa, você entra rápido e presta bastante atenção em todos os detalhes - porque sabe que você vai descer na próxima estação. Eu adoro quando meu vagão chega. Mas gosto mesmo, mesmo é da minha pedra quente e grande. Mesmo que ela me roube textos inflamados e verborrágicos. Mesmo que ela me peça pra ficar quietinha. Mesmo que. Mesmo. Amo. Mesmo. dezembro de 2006
da falta do ser
Pois é. Fiz isso comigo, este mês. Me analisei tanto, olhei tanto pra mim, pras minhas neuras, pros meus medos, pras minhas dores e desejos que eu quase sumi. Perdi o sentido, completamente. Caí no buraco. Meu nome não me pertencia, meu corpo me era estranho. Fiquei num lugar entre mim e eu mesma que já não encontrava - nem o lugar, nem o "mim" e nem o "eu mesma". Enfim. Parei de me repetir, parei de falar meu nome, parei de procurar o buraco para me achar lá dentro. Estou saindo. Mas tenham calma.
novembro de 2006
sonho inteiro a noite, um quadro negro. do que estávamos falando mesmo? porque eu olho o teu rosto enquanto falas e teus olhos me fazem muito mais sentido do que tua boca. teus olhos que falam minha língua, mas falam também tantas outras, chinês, escandinavo, russo, braile. não telefonas, não escreves, não perguntas. mas sabes de tudo. mas me sabes como ninguém mais. como ninguém jamais. durmo tranquila. nas tuas noites-quadro negro-sem apagador, nunca. durmo tranquila nos teus olhos poliglotas e circunflexos. durmo tranquila. e tu também. outubro de 2006
A tua alma ali, estendida. Por sobre as folhas do livro, em cima da mesa feito toalha, enrolada no teu pescoço. A tua alma palpável. Pulsante. Na tua boca vermelha, o sangue da tua alma. Na tua risada inadequada, o peso da tua alma. Quando você escreve "chorei", sem ter vertido uma lágrima, a letra é a da tua alma. É tudo o que tens, agora. (pulsando como inflamação. tumtum. tumtum. tumtum.)
* A brancura dói e cega, no começo. O cheiro do jasmim, aquele que você tanto pedia, enjoa. É estranho quando você se joga no mar e ele não te arrebenta. É estranho todos os oceanos serem o mar morto.
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Acredito na força dos cavalos. Pocotó, sabe?
Gosto da cor da laranja e do cheiro da baunilha.
Sei que sentimentos têm força, a maior força do mundo.
Não enxergo tudo o que quero, e minha miopia é metáfora disso.
Amo até o fim, sempre, incondicionalmente.
Acho que vou ser feliz, aos poucos.
E nas touradas, sempre, sempre, sempre, torço pelo touro.
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